Recomeçar

O que é recomeçar? Essa palavra tem muitos significados e tem muitos símbolos. Pode ser algo corriqueiro: todos os dias recomeçamos o nosso trabalho. Pode também significar o resgate de projetos, a união com velhos costumes. A viagem em bicicleta faz parte da minha vida há bastante tempo, mas há um bom tempo que não vivia essa experiência. Minha última cicloviagem foi em 2017, depois disso não tive férias onde pude fazer uma cicloviagem. Claro tive outros eventos com bike, inclusive o Paris-Brest, mas não uma viagem no sentido mais puro da palavra: andar, parar, conhecer, andar, conhecer de novo e seguir… A bike sempre esteve presente na minha vida neste período, como sempre, mas em 2019 quando eu planejava voltar a fazer cicloturismo fomos acometidos pela pandemia.

A pandemia foi dura em todos os sentidos: distância dos familiares, nos momentos mais graves nem sair para exercitar-se era possível, o volume de trabalho estava insano e, confesso, nesse período a atenção com a saúde foi para o brejo. O período também foi bastante duro do lado pessoal, a saúde de meu pai esteve muito delicada, muitas vezes pensei que seria a última vez que o veria. Um ano de tratamentos, emergências, consultas médicas e incertezas. Graças a um esforço conjunto sobrevivemos, a família se uniu e venceu. É nesse cenário que o projeto Patagônia se reinicia: para celebrar tudo isso que vencemos, para reconectar com um projeto e paixão antigos. Para desligar da correria e da loucura e conectar-me comigo mesmo.

O grande lance de um recomeço é a sua dualidade: se por um lado temos uma expectativa enorme do que vamos viver, por outro não se sabe exatamente o que se vai encontrar. Por 3 meses planejei esta viagem: roteiro, grana, reservas de alguns lugares. Tudo planilhado, desenhado, estimado (do tempo aos custos) para no primeiro dia de viagem já dar M e eu ter que mudar tudo! É assim que é, é assim que vai ser: isso é uma viagem de reconecção, vamos abraçar as incertezas, vamos entender que não temos controle de tudo (muito pelo contrário) e vamos seguir, fazendo o melhor possível e vivendo as experiências do caminho.

Planejamento

Aqui vai um breve resumo de tudo que planejei, não pretendo ser extremamente detalhista, apenas mostrar como se planeja uma coisa, mas no momento da execução se encontra outra!

Desde que comecei a planejar este rolê a ideia sempre foi sair de Bariloche, cruzar os Andes e seguir para o sul, queria passar pelos parques Pumallin e Hornopirén. O regresso a Bariloche seria por Segundo Corral: uma região remota de um parque nacional, onde se pode fazer os tramites de aduana no meio do parque. Essa sempre foi uma etapa que não sairia do roteiro. Todo o resto mudou bastante: datas e lugares, mas Segundo Corral, região de Llanada Grande, sempre esteve presente.

Durante o planejamento conheci os refúgios de montanha, hospedagens específicas em alta montanha, e decidi que iria ficar em lugares como esses sempre que possível. Outro ponto importante é entender que a bicicleta é uma parte da viagem, mas não um fardo. Planejei diversos pontos em que a bicicleta ficaria e seguiria a pé para conhecer os “sendereos” (como se chamam as trilhas nos parques) e as cachoeiras. Ao final o roteiro ficou assim:

  1. Bariloche – Volcán Osorno
    • Aqui a ideia era não ter que descer até Puerto Montt depois de cruzar os Andes, foi a primeira besteira: como subir a um vulcão depois de uma dia de pedal?
  2. Subir ao cume do Vulcão caminhando
  3. Volcán Osorno a Puerto Montt
    • Aqui tomaria um barco noturno que me levaria a El Chaitén
  4. Estadia en El Chaitén
  5. El Chaiten a Caleta Gonzalo
    • Essa parte seria feita em dois dias, acampando no meio do caminho.
  6. Caleta Gonzalo a Hornopirén
    • Aqui mais um trecho de barco + pedal
  7. Estadia de 3 dias em Hornopirén
    • Conhecer o parque o vulcão
  8. Seguir para lago Tagua Tagua e cruzar para Llanada Grande
  9. Cruzar de volta para a Argentina por segundo Corral
  10. Seguir para Villa Mascardi
  11. Seguir para Pampa Linda
    • Dormir aqui em um refugio ao pé da montanha e no dia seguinte subir para o Refugio Otto Meiling
  12. Caminhada ao Refúgio Otto Meiling
  13. Chegada em Bariloche e tomada do voo ao Brasil

Como vamos ver esses planos já mudaram logo no começo!

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