Bicicletas em mirante na subida Paraty - Cunha

Preparação para uma cicloviagem

Cicloturismo? Como assim?

Antes de começar a escrever sobre a Rota da Bocaina, eu achei que seria legal fazer um post sobre cicloturismo. Para quem não sabe, cicloturista é um tipo de ciclista maluco que enche a bicicleta de carga e fica andando por aí no seu tempo livre. As viagens podem ser curtas de um fim de semana ou de vários dias, meses ou, em casos mais extremos de vício, vários anos.

Deixando as brincadeiras de lado, o cicloturismo é um modalidade que está crescendo bastante no Brasil que já conta com diversos roteiros para a modalidade e a lista vem crescendo. Nesta lista estão diversos roteiros no sul do Brasil como o Circuito do Vale Europeu e o Circuito das Araucárias, Minas Gerais como a Estrada Real e a nova Rota das Transições, e São Paulo como os caminhos do Sol e da . Mas não é necessário seguir nenhum desses caminhos oficiais, para fazer cicloturismo, basta uma bicicleta em condições razoáveis e vontade de pedalar por aí.

Existe bicicleta ideal?

A bicicleta não precisa ser nada top de linha, pode ser uma bicicleta qualquer, desde que seja confortável e que aguente minimamente rodar bastante tempo. Existem bicicletas específicas para cicloturismo, mas estas não são obrigatórias, principalmente para quem está começando. O importante é ter uma bike que não vá dar trabalho em longas distâncias (quebrar, desregular ou lesionar o ciclista) e que aguente o que se pretende fazer. O cicloturismo pode ser por estradas asfaltadas, estradas de terra, um misto dos dois ou até por trechos pesados de mountain bike. Sendo assim é importante que a bicicleta escolhida aguente a rota pretendida.

As primeiras viagens que eu fiz com minha esposa tínhamos bicicletas simples, com componentes de entrada e ambas aguentaram muito bem o tranco. Eu usava um Caloi Elite 2.1 e minha esposa uma BTwin (da Decathlon) e as duas serviram bem por muito tempo mesmo a gente pegando pesadas estradas de terra em algumas viagens.

E os acessórios, o que é importante e o que não é?

Itens obrigatórios em uma cicloviagem são bolsa de guidão e alforjes para carregar a carga. A bolsa de guidão deixa o que é importante à mão durante a viagem e os alforjes carregam o que você vai usar com menos frequência como roupas para dormir, artigos de higiene, trocas de roupas e equipamentos de camping (caso você não esteja ficando em hotéis). Também é muito importante carregar água, então pelo menos duas caramanholas devem ser levadas.

É importante lembrar que é preciso um pouquinho só de planejamento… Bolsa de guidão é fácil de instalar, existem diversos modelos e são todos (quase sempre) compatíveis com qualquer bicicleta. Já os alforjes requerem a instalação de bagageiros na bicicleta. Existem diversos tipos de bagageiros e é muito importante escolher o correto para não ter problemas de compatibilidade com o quadro da bike e nem problemas de excesso de carga. Existem os bagageiros de canote de selim, esses são práticos e de fácil instalação, mas tem capacidade de carga bem reduzida, então numa cicloviagem mais longa podem não dar conta do recado. Colocar mais peso do que o este tipo de bagageiro aguenta, com certeza fará com que ele quebre no meio da viagem deixando o ciclista na mão. É importante lembrar que as irregularidades do terreno podem forçar ainda mais o bagageiro fazendo com que este esteja mais propenso a quebrar. Os outros modelos de bagageiro vão presos ao quadro da bicicleta e por isso aguentam mais peso e são mais confiáveis. O que diferencia os tipos desses bagageiros é se a bicicleta possui ou não furação no quadro para a instalação. Se existe furação no quadro, é tudo bem tranquilo de instalar, se não existe a furação aí é preciso encontrar um bagageiro que se prenda à bicicleta de alguma outra maneira, pela blocagem do selim, eixo da roda, abraçadeiras no tubo do quadro etc..

É no bagageiro que serão pendurados os alforjes e dependendo da viagem nem são necessários alforjes, uma mochila ou uma bolsa presas ao bagageiro já resolvem o problema. O importante é não carregar peso nas costas com mochilas. Apesar de algumas pessoas fazerem viagens assim, carregar uma mochila nas costas aumenta e muito a transpiração, pode ocasionar dores lombares além de, na minha opinião, ser extremamente desconfortável.

Bicicleta com bagageiro de canote de selim.
Bicicleta com bagageiro de canote de selim.

Uma outra opção para carregar carga são bolsas de selim gigantes, essas bolsas estão ficando comuns e várias marcas já as produzem. Essas bolsas são ótimas opções pois não necessitam de furação no quadro ou instalação de bagageiro. Tem uma capacidade de carga reduzida se comparadas a alforjes tradicionais, mas são uma ótima opção para carregar carga de forma prática. A foto abaixo ilustra uma opção da BlackBurn, mas existem outras marcas também.

Planejamento: rota, ajustes da bicicleta e outros equipamentos necessários

Com carga uma bicicleta se comporta de forma diferente, então é muito importante lembrar que, caso as cicloviagens comecem a ficar frequentes, com o tempo talvez sejam necessários upgrades à bike. Subidas com a bicicleta completamente carregada, podem ser terríveis se a relação não possuir marchas bem leves. Também a posição do guidão pode ficar desconfortável para carregar tanto peso. Dessa forma upgrades na troca do guidão ou das marchas (como um Megaranger, por exemplo)  podem ser interessantes, mas nada disso é necessário para as primeiras viagens. O importante é começar a viajar e depois mudar o que for necessário na bicicleta com o tempo.

Outro ponto importante da preparação para uma viagem é saber como será a rota. Isso envolve de tudo: desde o tipo de terreno e suas subidas e descidas até se a rota passa por cidades e vilarejos ou não. A pior roubada que pode acontecer é você ficar sem água ou qualquer outro suprimento no meio do nada e não haver nenhum lugar ou vendinha para se reabastecer. Isso vale também para a manutenção da bike, não é em qualquer lugar que se encontra um bicicletaria prontinha esperando para dar um jeito na magrela, então em cicloviagens é sempre bom levar um kit com peças sobressalentes (pastilhas de freio e lubrificante são os principais) e um kit de reparo de pneus (remendos, câmara reserva e principalmente BOMBA DE AR). Este último é item obrigatório em qualquer viagem, mesmo que você não saiba usar, o grupo tem sempre alguém que sabe e não existe nada pior que um pneu furado no meio do nada e a bike sem os itens necessários para o reparo!

Existem duas opções de remendos: “estrelinhas” que são vulcanizadas com cola e remendos autoadesivos. Os dois são muito bons apesar de os primeiros serem mais confiáveis. O importante é ter uma ou duas câmaras reserva, assim no caso de um furo, não é necessário reparar o furo, somente trocar a câmara e seguir viagem. Numa próxima parada, ou a noite aí pode ser feito o reparo e a câmara reparada fica de reserva.

Bagageiros preso ao quadro.
Bagageiros preso ao quadro.

E o resto?

O resto é resto, só curtição e risadas. Se você quer se aventurar a fazer uma viagem e não tem coragem, a melhor alternativa é fazer com amigos que já tenham feito ou grupos que organizem isso (em Sampa tem vários que organizam). Além de boas conversas e divertimento ao longo do trajeto, você irá aprender bastante com quem já passou por perrengues. O mais importante é saber que tudo precisa ser bem simples. Nada de equipamentos caros e bikes do outro mundo. Já vi pessoas cruzando longas distâncias com bikes de “supermercado” e dando tudo certo. No fim pedalar é simples, a gente que complica as coisas.

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