Limite de municípios Guaratinguetá e Cunha

Volta da Bocaina – Guaratinguetá a Paraty

Introdução a Rota da Bocaina

Agora começo a escrever sobre a Rota da Bocaina propriamente dita. Como o objetivo sempre foi que outros ciclistas pudessem seguir esse roteiro, então farei esses posts como um guia para que as pessoas possam se planejar. Nesse post estarão as rotas em GPS para baixar, além de diversos detalhes sobre onde ficar, onde comer e pontos de interesse.

Primeiramente esta rota tem início e fim nos mesmo local, então a viagem pode começar em qualquer uma das etapas, além do mais caso o ciclista ache que não vai dar conta, existem vários pontos na rota onde é possível parar e pegar um ônibus de volta.

Primeira etapa: Guaratinguetá – Cunha – Paraty

O roteiro original começa em Guaratinguetá. Essa cidade foi escolhida por ser fácil para chegar de ônibus de São Paulo. Para quem pretende ir de carro até o início da rota pode deixar o carro em Guaratinguetá ou pode ir até Cunha. Assim dá para economizar o trecho de subida até Cunha e facilita a ida para Paraty. Também facilita a volta por não ter que pedalar até Guaratinguetá.

Altimetria Guaratinguetá - Paraty
Altimetria Guaratinguetá – Paraty

A minha rota original sairia de Guaratinguetá e seguiria até Paraty no mesmo dia sendo um total de aproximadamente 96 km. A estrada de Guaratinguetá – Paraty é bem tranquila, com asfalto bom, bem sinalizada e o risco para o ciclista é praticamente zero. De Guaratinguetá para Cunha existe uma serrinha com boas subidas e descidas, depois uma série de subidas mais acentuadas até a divisa de estados entre São Paulo e Rio. A partir daí são uns 20km de descida até chegar em Paraty. Por conta dessa descida eu estava confiante de que chegaria muito tranquilamente em Paraty com dia claro ou pouco depois de escurecer.

Atrativos do Trajeto

Comecei a pedalar por volta das 11:00, assim que o ônibus chegou em Guaratinguetá e fiz a subida da serra muito tranquilamente, curtindo as vistas e parando para conhecer o que a estrada tem de bom. A estrada além de contar com diversos pontos para apreciar o “mar de morros” conta também com alguns outros atrativos como lugares para comer e se reabastecer além de um Santuário a Santo Expedito. Eu já passei por essa estrada diversas vezes e nunca havia notado esse santuário, como estava com tempo, resolvi passar para conhecer. O santuário é bem simples, mas é um bom lugar para dar uma desligada. Independente da religião definitivamente um lugar para parar e dar uma meditada.

O santuário é bem tranquilo então é um ótimo ponto para descansar, comer alguma coisa, reabastecer de água e seguir viagem. O lugar é bem pequeno então em dias normais não tem nenhuma venda, lanchonete ou coisa do tipo. Para quem estiver com fome e está com os alforjes vazios, tem diversos pontos para se comprar algo no caminho, a minha recomendação é o “Tudo da Roça” que fica do outro lado da pista (no sentido Cunha – Guaratinguetá) e é cheio de gostosuras frescas produzidas ali mesmo. Como eu já conhecia o lugar, preferi seguir direto e ir para Cunha.

Serra Guartinguetá - Cunha
Serra Guartinguetá – Cunha

Chegando em Cunha as subidas começam a dar uma ligeira apertada. Por conta disso resolvi parar num posto na entrada da cidade para comer algo. Como esse foi o meu primeiro dia, depois de quase um ano pedalando bem pouco, eu estava bem cansado. Resolvi entrar na cidade (o que não estava planejado) comer algo mais substancioso e só depois seguir viagem. O horário de verão ajuda a pedalar por mais tempo com dia claro então estava tudo certo.

Cunha e suas subidas

Cunha definitivamente “não é uma cidade amiga do ciclista”, coloco entre aspas pois isso é só uma brincadeirapor conta das inúmeras subidas da cidade. Cunha adora ciclistas, a cidade será esse ano sede do L’Etape du Tour pela terceira vez e tem diversos lugares para se conhecer de bike. Para quem não conhece o L’Etape é uma prova simulando uma etapa do Tour de France, organizado pelo próprio Tour de France e que acontece em diversos países. Cunha, hospedando o L’Etape por 3 anos seguidos, prova que apesar de suas subidas, é sim uma cidade para lá de amiga da bike.

A cidade é bem pequena e para se encontrar algo para comer é só seguir as placas que indicam a Igreja Matriz, ali tem um pequeno calçadão, o centro comercial da cidade e bons restaurantes. Na praça bem próximo da igreja tem o Café e Arte, uma cafeteria super simpática, super bem decorada e com ótimas opções para um lanche rápido. O atendimento é nota 10 e até uma tomada para deixar os meus equipamentos carregando eu consegui. Pedi uma panqueca de ricota com parmesão e salada por míseros R$ 17,00 e mais um suco de laranja. Era tudo o que eu precisava: fibra, sais minerais, um pouco de descanso e umas fotos com cachorros!!! Adoro os cachorros no meio da viagem!!!

Cunha também é famosa pelo seus ateliês de ceramistas. A cidade está repleta deles e se você estiver com tempo, vale a pena conhecer. Existem vários, com técnicas e estilos diferentes. Claro, será necessário fritar as canelinhas um pouquinho nas subidas de Cunha, mas vale muito a pena.

Cunha ainda conta com uma área rural enorme, o que confere diversos atrativos para se conhece de bicicleta. Existem diversas cachoeiras, um Parque da Serra do Mar, o único que não está no litoral e diversas fazendas com atrativos.

Seguindo até Paraty

Depois desse breve descanso era hora de seguir para Paraty. Eram cerca de 16:00 e eu tinha cerca de 40 km até meu destino final, sendo de que desses 20 km só descida. Tempo de sobra para chegar em Paraty com tranquilidade. O que eu não contava era que o meu cansaço iria aumentar tanto e que a serra até a divisa do estado iria me deixar tão cansado. Eu levava bastante carga e isso estava contribuindo bastante para me atrasar. Só não parei tudo e voltei para Cunha para pernoitar, pois eu já tinha pago a estadia de Paraty. Então fica aqui a primeira dica: se saiu tarde de Guaratinguetá, como eu saí, melhor pernoitar em Cunha.

No meu caso não tinha jeito, então fui subindo devagar e cansando cada vez que eu avistava uma placa de aclive. Quando parecia que tudo estava a ponto de acabar e chegar a parte das decidas, lá aparecia a bendita placa de novo auhauheuaheuaehau. Tem que rir para não chorar. O mais importante aqui é que o trecho de Cunha até a divisa do estado tem bastantes subidas, mas por conta disso paisagens belíssimas. No caminho tem o Lavandário, se estiver com tempo, vale muito a pena parar e conhecer. Uma plantação de lavandas linda, com o perfume exalando por todos os lados e com uma vista linda da serra. Na propriedade são produzidos sabonetes, essências e até chá com a planta. Com tempo pode-se até marcar uma massagem com os óleos essenciais de lavanda. Se estiver por ali num amanhecer ou num entardecer, rendem fotos belíssimas. Eu passei por ali bem tarde e atrasado, então resolvi seguir para Paraty direto.

Ai meu Deus, essas subidas não acabam!!!!
Ai meu Deus, essas subidas não acabam!!!!

Divisa de estados e a descida a Paraty

Definitivamente este trecho é muito melhor se feito durante o dia, ao final da estada ainda do lado paulista, bem próximo da divisa com o estado do Rio, existe uma cachoeira belíssima, ao lado da pista. Assim, em dias de calor, não é necessário fazer nenhum esforço extra para se refrescar. No meu caso, passei ali tão no escuro que já nem valia a pena tirar foto. Passei para apreciar a cascata à noite, pois adoro uma cachoeira, mas não tinha a menor condição de banho e nem de fotos! Mas a partir daí está tudo tranquilo, 1km depois da cachoeira, entra-se no estado Rio de Janeiro, na estrada que está dentro parque e claro só descida até Paraty.

Para quem não sabe, o trecho entre Cunha e Paraty é considerado a pior subida (em nível de dificuldade e inclinação) do Brasil para ciclistas, como estou fazendo a descida dá para imaginar o quanto esse trecho iria exigir dos freios da bicicleta. Até bem pouco tempo atrás esse trecho era todo de terra e só passavam carros tipo 4×4, desde 2013 começaram obras para melhorar a estrada que foi então calçada e está agora perfeita. Um verdadeiro tapete, super bem sinalizada, com olhos de gato por toda a pista e baias de emergência em diversos pontos. Ainda não tinha passado pela estrada depois da reforma, e o que eu mais havia ouvido era que os carros estavam descendo muito rápido e colocando todo o resto do mundo (pedestres, ciclistas e animais) em risco. Não foi o que eu senti durante a descida, o carros sim me ultrapassavam, mas com distância, com cuidado e teve inclusive uma boa alma que ficou atrás de mim com farol alto durante toda a descida. Eu tinha iluminação e sinalização mas nessas horas qualquer ajuda é bem vinda!

O trailer que eu carregava preso à bike mostrou a que veio no quesito “mostrar que está pesado” e me empurrava ladeira abaixo como um louco, mesmo assim não foi difícil controlar a bike e depois de uns 30 minutos de descida, cheguei a Paraty, às 10:30 da noite. Completamente fora do que eu havia planejado. Morto, faminto e doido para cair na cama. Em Paraty eu conheci o hostel Che Lagarto em uma outra viagem de bike, então dessa vez fiquei no mesmo lugar, somente optando agora por um quarto coletivo. O hostel é excelente e faz parte de uma rede, com ótimo atendimento e ótimas opções de comida e diversão. No meu caso eu não queria nada disso: só um banho quente e uma pizza enorme. Tudo deu tão certo que em frente o hostel tem uma pizzaria excelente onde, depois de um mega banho, me acabei de tanto comer.

Paraty tem diversas opções de hospedagem para todos os bolsos e gostos. Na etapa seguinte encontrei um casal que me contou sobre o Camping Portal, que além de camping possui quartos e que oferece desconto de 15% para ciclistas, então não custa nada checar antes de ir para Paraty.

Por último deixo aqui o link para a rota para o GPS e o vídeo dessa etapa: Guaratinguetá – Paraty.

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2 comentários sobre “Volta da Bocaina – Guaratinguetá a Paraty

    1. Ale, vi o seu primeiro vídeo você foi guerreiro, se soubesse tinha ido com você!!!! uaheaueuua Esse trecho da Serra da Bocaina é muito legal, estou preparando mais um post!

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