Começanda a saga para o PBP, o ano calendário do Audax começou complicado. Eu queria fazer os 200km da série 2019, ainda no final de 2018 (a série iniciava em Novembro/2018). O calendário 2019 do Clube Audax SP começava em Novembro, 2018 com uma prova super legal saindo de Santo Antônio do Pinhal. Infelizmente essa prova foi cancelada por conta de uma obra na pista o que me obrigou a começar a minha série em Janeiro, com a prova de outro clube: Randonneurs Mogi, fazendo o BRM 200km de Guararema.

Essa é uma prova muito divertida e, seguindo a fama desse, clube cheia de subidas. A prova tem 3 serras que exigem bastante das pernas, mas passa por diversas pequenas cidades onde dá para se abastecer o que ajuda bastante na logística. Sendo assim me programei para levar o seguinte durante a prova:

  1. Bolsa de guidão com suprimentos (barrianhas, gel e outras guloseimas)
  2. 2 Garrafas de água, são o suficiente já que dá para reabastecer em diversos pontos
  3. Bolsa de selim com ferramentas, camara, remendos e CO2 (uma maravilha na hora de encher um pneu furado no fim de uma prova)
  4. Bomba presa ao quadro

Para que não conhece vou colocar um pequeno resumo das regras do Audax aqui:

  • Você tem que completar a prova dentro do tempo limite
  • O trajeto tem vários pontos de parada obrigatórios chamados PC (Ponto de Controle). Os PCs podem ser:
    • Virtuais: um ponto onde se tira uma foto, coleta uma nota fiscal que comprove o horário que você passou ou alguma outra forma de provar a sua passagem. Esse tipo de PC não tem ninguém da organização por lá para atender o ciclista.
    • Tradicionais: um ponto onde alguém da organização fica lá esperando os ciclistas, anotando os tempos de passagens nos passaportes e com isso comprovando a passagem do ciclistas.
  • Provas podem misturar PCs tradicionais e virtuais. No cso do Clube Randonneurs Mogi, quase todos os PCs são virtuais.
  • Cada PC tem um horário de abertura e outro de encerramento. Se chegar atrasado num PC, a prova está perdida, mesmo que o ciclista consiga chegar a tempo ao fim da prova.
  • Não é permitido apoio no trajeto, o ciclista pode cadastrar um carro de apoio, que somente poderá apoiá-lo NOS PCs.
  • São obrigatórios capacete, iluminação e colete de sinalização

Furando qualquer uma das regras acima pode acarretar em desclassificação do ciclista.

Uma prova de 200km é bem tranquila e dependendo do preparo o ciclista consegue terminar a prova com bem menos que as 13:30h e portanto nem precisa pedalar à noite. Entretanto as regras são bem claras sobre iluminação: é obrigatório estar com as lanternas dianteiras e traseiras a todo o tempo e em condições de baixa visiblidade estas devem estar ligadas. Eu acostumei a fazer as provas de 200km e 300km somente com os equipamentos que listei acima. Na maioria das vezes nem levo casaco, para não ter nada a mais para carregar. Claro que isso varia com o clima, mas para começar acho que esse é um bom kit inicial para quem quer se aventurar.

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Celeste em sua para em Jambeiro.

Voltando à prova: larguei da prova junto com o meu amigo, conselheiro físico e excelente profissional Ne Furriel, que foi na pipoca. A prova é muito boa pois a primeira parte começa em uma estrada vicinal bem tranquila e em seguida segue pela Rodovia Carvalho Pinto. Rodovia excelente para pedalar: longas retas com aclive tranquilo e com bons declives. Esse é um trecho que se rende bastante: asfalto bom e terreno tranquilo dão uma ótima velocidade média. A prova segue saindo da rodovia e seguindo para a pequena cidade de Jambeiro. Essa cidade fica no meio de uma serrinha e aí o caldo começa a entornar: velocidade média começa a cair e as perninhas começam a fritar.

Em Jambeiro tem umas padarias e outros pontos para reabastecimento. Aqui eu abasteci, bati papo com a galera, tomei uma coca-cola gelada e bora para a pista. Segue-se a serrinha fritando as pernas até pegar a rodovia dos Tamoios. Aqui pega-se um trecho curto e muito tranquilo, com boas descidas até chegar na saída para Salesópolis. Aqui começa outra sofrência, depois de pasar o Bairro do Cedro, são cerca de 10km de subida sem parar. Para estar preparado, pouco depois de sair da Tamoios, fiz uma parada estratégica na Barraca Azul, um casa que vende sanduíches caseiros e um bom ponto para reabastecer. Sendo vegano,  não haviam opções de sanduíches mas eu sempre levo minhas provisões. Assim comi os sandubas que eu carregava na bolsa de guidão e tomei as coca-colas, que estavam quase congeladas de tão boas. Aqui eu perdi bastante tempo conversando com o Ne e saímos juntos. Fomos bem e eu fui segurando o ritmo pois estava sentindo um pouco de câimbras nas pernas.

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Fotinha com o brother Ne antes de encarar a serra do Cedro.

Chegamos à serra do Cedro, deixei o Ne por lá e segui pela serrinha no meu ritmo, a perna já não dava mais sinais de câimbra. Os 10km de subidas foram mais tranquilos do que eu imaginava, quando percebi eu já estava num trecho de relevo bastante mais tranquilo seguindo com boa velocidade para Salesópolis.

Salesópolis é um lugar sensacional! Terra da Nascente do Rio Tietê e diversos atrativos naturais. Hoje não era dia para nada disso, mas uma coisa não podia faltar: um caldo de cana geladinho pouco antes de chegar à cidade. A barraca de caldo de cana ali, para mim, é um exemplo da vida simples. A barraca era cuidada pelo velhinho, sua mulher e o filho. Na primeira vez que passamos por lá (numa outra viagem) o velho começou a contar diversos causos do passado, de quando ele veio do nordeste para cá. Os causos eram “do balaco baco” envolvendo cangaceiros, traição e assassinatos. Os causos eram contados de uma forma bem humorada que fez o grupo todo parar para ouvir e dar risada (não tinha como tudo o que ele contou ser verdade uaheahueau). Hoje a barraca é cuidada somente pela senhora e o filho. O velho, morreu de câncer há alguns anos. Gosto muito dali, o lugar é super simples, mas acolhedor de mais. Tomei um caldão de cana com muito limão e gelo, troquei um dedinho de prosa com a senhora dona da barraca e segui em frente.

Chegando em Salé, tive que comprar protetor solar. O sol estava fortíssimo, eu havia esquecido de passar na largada e seguir daquele jeito iria me transformar num pimentão. Parei, comprei, me besuntei e segui. Nesse ponto encontrei com o Ne que estava chegando a Salé! Ele já havia desistido de fazer o trajeto do Audax, iria seguir direto para Mogi. Nos despedimos ali e segui para Santa Branca. Em 2018, quando fiz essa prova o Ne me disse assim: “agora é só administrar, a prova tá ganha!” Ledo engano: a serra exige e muito. Este ano, já sabendo do que me esperava foquei, fritei as pernas e segui. Cheguei em Santa Branca bastante desgastado do sol e do esforço: a serra foi bem puxada e o sol estava matando de tão forte. A parada na padoca que era o PC para reabastecer agora seria providencial.

Aqui encontrei com outros participantes da prova e trocamos umas ideias, um deles já havia ido para o PBP e foi sensacional saber como foi a experiência dele em 2015. Aqui nesse ponto, ir para França parecia algo muito distante e havia ainda muita coisa para organizar. Ficamos uma meira hora descansando e reabastecendo. Agora era pegar a Rodovia Carvalho Pinto de novo e voltar para Guararema. Chegar na rodovia foi sensacional parecia que tinha um motor na bike de tanto que rendi nesse trecho. Aproveitei o bom rendimento e o vento que soprava e soquei a botina.

Cheguei em Guarema ainda com umas 3 horas sobrando para terminar a prova e tive a primeira etapa do sonho do PBP concluída com sucesso.

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Primeira etapa concluída!

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