Praticamente começando com a organização (já que os últimos dias tem sido turbulentos no trabalho) ainda existem várias pendências e não falta muito tempo assim para a viagem: 56 dias, quando comecei a escrever este post. Dessa forma comecei a fazer uma lista com tudo o que preciso. As pendências vão desde ajustar a rota e o cronograma, até decisões do que vou carregar durante o trajeto e o que devo comprar.

Como mexer na rota e cronograma eu faço de casa, comecei por aí, até porque estudar a rota é uma maneira de me antecipar à viagem e conhecer os lugares à distância. Fiz uma planilha no Google Drive onde fui colocando cada etapa, a data estimada e a distância para a etapa seguinte. Essa planilha foi um ponto de partida, mas como várias partes vão ser de terra ou vou depender de barcos tenho que estar atento: não dá para pedalar 110km num dia, chegar num lugar que não tem nada e não ter mais barco para cruzar. Depois de muito ajustar e verificar cheguei no seguinte cronograma:

  • 1/5/2020 – Bariloche a Puerto Mont, total de 131km
    • Várias partes são feitas de barco e Puerto Montt é uma cidade grande. Acho que dá para chegar mais a noite sem problemas
    • Aqui prendendo reservar um hostel, para não correr risco de chegar tarde, estar tudo lotado e eu ter que dormir na praça
  • 3/5/2020 – Puerto Mont a Hornopiren
    • Trecho de 117km, com algumas subidas. Aqui a ideia é sair bem cedo: a estrada é bem bonita e longa. Assim tenho tempo para aproveitar as belezas do caminho e chegar ao destindo sem ser muito tarde.
    • Meu objetivo é socar a botina nos trechos chatos e poder parar um pouco nas áreas de belezas naturais
  • 6/5/2020 – Hornopirén a Caleta Gonzalo
    • Trecho de 90 km, tudo feito em Barco. O motivo principal de fazer o trecho todo em barco, no lugar de seguir pela Carretera Austral é que seguir pela carretera me obrigaria a passar por várias balsas com poucos horários de viagem. As várias balsas iriam incluir bastante tempo de espera e me fariam correr o risco de chegar na última balsa já sem viagens naquele dia. Sem contar que a viagem pelos 90km leva cerca de 4 horas, o que vai me permitir já aproveitar a tarde no Parque Pumalin
  • 9/5/2020 – Caleta Gonzalo a Hornopiren
    • Aqui começo a voltar, para seguir rumo ao lago Tagua Tagua. A ideia é ficar mais uma tarde na região de Hornopiren
  • 10/5/2020 – Hornopirén a Lago Tagua Tagua
    • Aqui existem duas opções, posso fazer o trecho de 100km que separa as duas cidades no próprio dia 9, isso irá depender de como será a viagem de barco. Se o dia estiver tranquilo e minha disposição também, farei a viagem a tarde, ganhando assim um dia a mais. Caso contrário passo a tarde em Hornopirén e viajo no dia seguinte mais sossegado.
  • 11/5/2020 – Lago Tagua Tagua a Llanada Grande
    • Esse trecho vai ser bem curto: 36km, a ideia aqui é parar em Llanada Grande, achar alojamento e sair para explorar a região que é muito bonita com inúmeros lagos, cachoeiras e single tracks.
    • Descansar a noite de buenas e seguir viagem no dia seguinte para cruzar a fronteira.
  • 12/5/2020 – Llanada Grande a Lago Puelo
    • Aqui são 40km passando pelos lagos e cruzando as duas fronteiras, é pedal para o dia todo já que envolve single tracks e trechos feitos somente para caminhada. Parece pouco, mas a ideia é seguir o mais cedo possível: daqui para a frente existe menos estrutura, e dependendo do horário os Carabineros de Chile podem não me deixar cruzar a fronteira o que me obrigaria dormir ao relento sem barraca. Não tô afim não, apesar de estar levando alguns apetrechos para essas situações, essa região faz bastante frio então não pretendo acampar.
    • Outro ponto importante é que encontrei um relato de um cicloturista que sofreu para cruzar com a bike essa região por conta do terreno. Tenho que estar preparado.
    • Quem quiser ler o relato pode ver nesse link (em inglês): https://www.manythingsontheearth.com/travels/cycling-chile-argentina-rio-puelo-border.html
  • 13/5/2020 – Lago Puelo a Villa Mascardi
    • Aqui já ficamos bem próximos de Bariloche. Meu objetivo é pedalar esse trecho longo de uma só vez para poder desviar e seguir para os glaciares próximos de Bariloche.
  • 14/5/2020 – Villa Mascardi – Glaciar Castaño Overo
    • Trecho curto de apenas 40km. Pretendo fazer esse trecho o mais cedo possível para conseguir visitar o glaciar com tempo.
  • 16/5/2020 – Glaciar Castaño Overo a Bariloche
    • O trecho para chegar a Bariloche é curto, assim pretendo começar essa última etapa bem cedo para chegar com tempo e resolver as questões da minha volta. Retorno para Buenos Aires de ônibus, então preciso chegar em Bariloche com tempo para embalar a bike se necessário e me dirigir para pegar o ônibus e viajar a noite toda.

Chegando em Buenos Aires eu teria o dia 17 inteiro para resolver a minha volta. Digo resolver pois eu vou precisar embalar a bike para o voo e também passar no hotel para pegar as minhas malas, que ficaram da minha viagem a trabalho. Apesar de esse rolê de bike ter terminando no dia 16, essa logística da volta ao Brasil ainda conosme pelo menos mais um dia.

Com relação à logística do voo, desde que voltamos do Caminho de Santiago passei a usar caixas de bike para o transporte das bicicletas em voo: elas são a melhor solução para proteção da bike, entretanto em algumas situações podem não ser práticas. Vou estar em Buenos Aires a trabalho na semana antes da viagem e ja vou deixar as minhas bagagens de trabalho no hote. Por conta disso, nessa viagem usar a caixa de bike ficará um pouco complicado: deixar uma caixa enorme no hotel, esperando a minha volta, pode complicar as coisas. Nesse caso, na volta, antes de ir para o aeroporto, ainda teria que sair procurando em lojas de bike por uma caixa. Sem contar que eu não terei um local tranquilo para fazer a embalagem da bike na caixa. Por isso para essa viagem resolvi usar meu velho mala bike para o voo.

Bikes como foram para o Caminho de Santiago. Nessa primeira viagem com as bikes em voo tivemos alguns problemas, por isso dessa vez vou fazer algumas “fortificações” a essa bagagem.

Uso um que minha vó fez para mim, já há uns bons 10 anos. São de algodão cru (tipo de um brim) e funcionam muito bem para transportar de ônibus. Para transportar no voo terei que fazer algumas “fortificações” para evitar danos à bike como aconteceu quando fizemos o Caminho de Santiago. A ideia é proteger as laterais com cartolina (ou pedaços de caixas), item que posso jogar fora e que seria bem mais fácil de encontrar na volta. Acho que essa opção vai rolar sem crise. A ideia é no mala bike ir tudo que vai na viagem, já no seu devido lugar (bolsas e ferramentas). Esse ponto vamos avaliar quando as bolsas da SRD ficarem prontas!

Para quem tiver curiosidade, seguem abaixo as rotas planejadas, como estão agora. Até a viagem, pode ser que eu altere algumas coisas aí, mas já dá para ter uma ideia da altímetria e das distâncias.

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