É galera… não é fácil falar de bike quando você está preso em casa, mas o objetivo desse POST é falar um pouco como foi o impacto dessa pandemia na minha vida e nos meus planos. Antes de tudo, a gente precisa saber que todos os dias novas descobertas são feitas e a nossa opinião muda muito de um dia para o outro. Há um mês eu ainda mantinha os meus planos de viajar para a Patgonia. Hoje já não faço ideia de quando isso vai acontecer. Então vamos lá entender um pouco melhor isso tudo e como organizar a nossa cabeça para não ficarmos loucos.

Em meados de fevereiro quando marquei minhas férias a epidemia ainda estava longe e para mim, pareceria que seria como foi a SARS ou a H1N1, que por aqui causou estragos, mas muito longe dessa pandemia que estamos vendo. Nessa época meu pensamento era: “Sou jovem, longe dos riscos, vou intensificar um pouco a minha higiene e já era tá resolvido”. Há cerca de 2 semanas atrás conversei com a minha mãe e comentei que como estava indo para longe de um grande centro, a viagem estava mantida. Minha mãe ainda me questionou se não havia o risco de aeroportos fecharem e eu não conseguir voltar. Eu afirmei categóricamente que isso era possível, mas muito (muuuuito) pouco provável.

Hoje tenho opinião completamente diferente do assunto. E gostaria de deixar muito claro: PRECISAMOS DEIXAR DE SER EGOÍSTAS. Pensar somente em nós mesmos vai nos levar para o buraco. Na mesma época dessa conversa com minha mãe começaram a circular as primeiras notícias de proibição ao ciclismo na Itália. Àquele momento tudo ainda parecia um absurdo, tinha muita gente p**** da vida com isso. Mas um ponto me chamou atenção nas notícias que lia: não pedalar é um sacrifício coletivo. O sistema de saúde com a pandemia está sobrecarregado, se podemos evitar usar um leito devemos fazê-lo. Não podemos correr o risco de ter que ir para o hospital por conta de um pé torcido, braço ou uma clávicula quebrados e nos expor ao virus e também atrapalhar a força tarefa que está sendo feita pelos profissionais de saúde. Pensem nisso na Patagonia: cidadezinhas minúsculas, onde é necessário pegar barcos para se deslocar de um lugar a outro. Nos confins da Patgônia você pode estar num povoadinho e a um raio de 200km de qualquer outro sinal de civilização. Imagine estar num desses povoados, com estrutura quase zero e ter um problema de saúde? Não dá para contar que nesses lugares não vai ter gente com sofrendo de COVID-19. Pior, imagine chegar e transmitir essa doença para os locais. O risco e consequentemente a irresponsabilidade seriam muito grandes. Outro ponto importante é que o virus comprovadamente ataca quem tem a saúde mais debilitada. Imagine pegar condições de clima complicadas, ficar a imunidade baixa e se expor à doença. Quem já fez cicloviagem no estilo “aventura” sabe que isso é perfeitamente possível de acontecer.

E o cicloviajante que já está na estrada, o que fazer? Na minha opinião a viagem deve parar ou pelo menos fazer uma pausa grande durante esse período. Se o viajante está no seu país de origem e ainda existem voos e ônibus disponíveis, sugiro voltar para casa. Em casa se tem mais estrutura para passar pelo isolamento, apesar dos riscos do transporte para a volta. Mas novamente, essa decisão deve levar em conta muitos fatores. Se for para ficar viajando por vários dias, fazendo um pinga pinga por aí em aeroportos e rodoviárias, sugiro ficar onde está. Se a viagem é internacional e já começou há tempos sugiro parar no primeiro lugar sguro e ficar até a loucura passar. Se você acabou de chegar onde começa a sua viagem, por mais triste e caro que possa ser, pegue o primeiro voo e retorne. Dinheiro e tempo se consegue depois.

Então o que fazer? Vou ser sincero, estou há 2 semanas nessa de não sair quase de casa. Nessas duas semanas não tive saco de colocar a bike no rolo. Pretendo colocar hoje, mas para quem também está achando um saco ir para o rolo, não se preocupe. Essa não é a única solução de ficar em contato com a nossa paixão. Sendo mecânico profissional (não praticante) tenho uma bancada com minha oficina em casa. A bancada estava uma zona, então comecei botando isso em ordem. Não chega nem perto do prazer que é pedalar, mas me manteve em contato com o que eu amo: bike e mecânica de bike. O problema é que isso preencheu um dia da quarentena, o que fazer com o resto?

Por sorte estou de quarentena mas estou trabalhando (e muito) portanto boa parte do meu tempo está sendo consumido com isso. No que sobra de tempo vou preenchendo com umas comprinhas aqui e outra ali (só quando começa a baixar o nível da dispensa), vendo vídeos de bike, arrumando a casa e mexendo nas bikes. Até agora, de bike, o que fiz mesmo foi arrumar algumas câmaras furadas, mas pretendo começar a revisar as bicicletas. Isso vai preencher um pouco mais do tempo e me deixar próximo da bike. Hoje acho que vou ter um pouco mais de âmimo para ir para o rolo.

No fim das contas, temos todos que nos unir. O que tenho falado para os meus pais, é que vamos passar por essa Pandemia juntos. À distância, mas juntos. Isso vale não só para a nossa família, mas para os nossos grupos: grupo da bike, turma da corrida, amigos da yoga etc… Vamos compartilhar mensagens, curiosidades, artigos… Até jogar stop via Hangouts tá valendo. E quando um de nós disser: acho que vou sair para um girinho, vamos ajudar esse cara a ficar em casa!!!! Vamos ter muito tempo para fazer o que gostamos depois disso.

É claro que nem todos estão numa situação como a minha, em que dá para trabalhar de casa e ficar isolado. Se você está nessa situação (taxista, motorista de aplicativo, entregador de delivery etc…) siga com sua vida, mas triplique o cuidado. Não se exponha a riscos desnecessários. Redobre os cuidados com descanso: o excesso de trabalho diminui a imunidade.

Meus pais tem uma pequena empresa, e para casos como o deles ficar sem vender por um mês pode ser trágico (se não fatal), mas o que prefiro: ter meus pais bem ou a empresa estar viva? Decisão difícil, mas eles pararam também e mandaram os funcionários para casa. Estão avaliando se existe alguma opção à parada total que não exponha ninguém a riscos. A realidade de cada um de nós é bem diferente, então muito contato nos contatos com outras pessoas para quem tem que ir para a rua.

Eu estou longe de ser um especialista no assunto, mas estou buscando as minhas informações em fontes confiávies, deixo abaixo alguns vídeos de canais que eu sigo, que estão falando sobre o assunto. Mas o mais importante é: talvez algo que valia ontem, já não valha mais hoje. Por isso é importante acompanharmos as notícias todos os dias.

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